A cabeça da Medusa: Como Versace redefiniu a moda

É realmente comum ouvirmos que determinado designer mudou o mundo da moda, o que é até natural se considerarmos que se trata de um mundo em constante transformação, que está sempre se reinventando.

Mesmo assim, no caso de Gianni Versace, esta afirmação é muito mais verdadeira do que a grande maioria das vezes. Neste post tentaremos explicar como isto aconteceu, ao mesmo tempo em que falaremos dos pontos mais importantes de sua biografia.

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Gianni nasceu em 1946, na cidade italiana de Reggio Calabria e sua história parece tirada de um filme. Desde muito novo era aficcionado por desenhar vestidos e peças de roupas, sofrendo bastante na escola, tanto por recriminação de seus amigos, como com os professores. Foi criado por sua mãe, que percebeu sua paixão pela costura e resolveu ensiná-lo tudo que sabia, mas não depois de avisá-lo que ele iria sofrer muito preconceito por ter feito esta escolha.

Um bom exemplo foi sua relação amorosa com Antonio D’amico, que durou muitos anos, mas nunca foi realmente reconhecida pela mídia, era condenada por sua irmã Donatella e até mesmo depois de sua morte, Antonio não teve direito a praticamente nada de acordo com as decisões judiciais..

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E foi assim que Gianni cresceu, rodeado de costureiras e imerso em ateliês. Depois da escola, sempre ia trabalhar com sua mãe, até se mudar para Milão em 1972. Entre 72 e 78, desenhou coleções de diversas marcas italianas, como Byblos, Complice e Mario Valentino. Depois, com o apoio da família Girombelli, muito ligada ao mundo da moda, criou sua própria empresa, inicialmente chamada de Gianni Versace SpA. A empresa era bastante familiar, seu irmão Santo era o CEO e sua irmã Donatella a vice-presidente e designer.

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Versace conseguiu colocar a moda no centro da cultura popular e reforçou muito a relação dela com o mundo das celebridades, antes de qualquer um. Depois de seu assassinato, seu legado e influência se fortaleceram ainda mais.

Mesmo que isso pareça exagero, não é, foi exatamente isso que Versace fez: a maneira como falavam sobre moda mudou, como se alguém tivesse tirado as teias de aranha que cobriam o mundo da alta costura, inserindo cores saturadas e popularizando-as. O designer conseguiu fundir características clássicas da moda, como a cintura alta e as camadas de tecido, com cores muitas vezes cartunescas como o vermelho e o amarelo gritantes. Além disso, Gianni foi capaz de criar uma marca com força gigantesca, já que contava com elementos da cultura contemporânea e com a admiração de mega celebridades da época, como Madonna, Elton John e Princesa Diana.

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Outra característica muito forte da Versace foi unir as raízes barrocas da Itália e da Grécia com padrões elaborados, como no famoso símbolo que se tornou a marca registrada da empresa, a cabeça da Medusa. Era bastante comum que o nome “Versace” aparecesse de maneira escancarada nas peças, uma tendência que marcas como a Off-White seguem até hoje. Os looks eram muito ousados para a época, parecia que Gianni não tinha medo de brincar com os limites entre o corajoso e o vulgar.

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Suas peças contavam com elementos da cultura bondage, como travas de segurança em metal, vestidos baby doll feitos com vinil e togas com malhas prateadas, também era possível perceber tons de neon, inspirados na cultura do Grafitti, dentro outros experimentos. Os desfiles de Gianni mais pareciam shows de estrelas do Rock e do Pop, com grupos de paparazzi esperando pela chegada de muitas celebridades.

Outra “inovação” de Versace foi a parceria com modelos de alto calibre como Cindy Crawford, Naomi Campbell e Linda Evangelista, para as quais pagava enormes cachês, dando início ao termo “supermodels”. O designer tem o mérito de transformar a moda em uma indústria poderosa e vinculada à celebridades, o que persiste até os dias de hoje.

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Em 1993, Gianni foi diagnosticado com um raro câncer de ouvido, do qual conseguiu se curar. No entanto, depois disso o designer passou muito de seus ensinamentos para seus familiares, para que eles pudessem gerir a empresa em sua ausência. 

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Apesar de ser conhecido pelos visuais mais glamourosos, Versace também foi extremamente inovador. Fez vestidos com malha de alumínio e criou uma fusão entre couro e borracha, por exemplo. Uma de suas criações mais famosas foi o vestido preto com pinos de segurança, usado por Elizabeth Hurley em uma premier de Holywood, a fama da atriz aumentou vertiginosamente depois de usar este vestido. A peça ficou tão famosa que hoje conta com sua própria página na Wikipedia

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 Versace não era apenas um designer talentoso, ele usou de muito marketing para lotar seus desfiles com celebridades da música e do cinema, que sempre ocuparam a primeira fileira. Junto com o sucesso veio a fama e o alto padrão de vida, ele tinha mansões em Milão, Miami e no lago Como, no interior da Itália, onde realizava enormes festas.

 Porém, em julho de 1997, após sua costumeira caminhada matinal, Versace foi assassinado em frente à sua mansão em Miami pelo Serial Killer Andrew Cunanan (que tinha uma antiga obsessão pelo designer). Na época, Gianni estava no ápice de sua carreira, já mais amadurecido e criando peças cada vez mais refinadas e inovadoras. Sua empresa estava em constante expansão, produzindo também peças masculinas e infantis, assim como bolsas, jóias, perfumes e até itens de decoração. Seu trabalho e legado já foram temas de diversas homenagens e tributos desde então.

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Versace foi realmente o primeiro que conseguiu incorporar elementos da cultura da rua e apresentá-los nos tapetes vermelhos ao redor do mundo. Depois da morte de Gianni, foi sua irmã Donatella Versace quem tomou a frente da empresa, que conseguiu dar um toque pessoal à marca, sem deixar de lado toda a inspiração que foi deixada por seu irmão. A tragédia que envolveu sua morte acabou se tornando parte da história da marca.

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 Uma das imagens mais famosas de seu funeral é a da Princesa Diana sentada ao lado de Elton John, ela é perfeita para exemplificar a transição de um mundo comandado exclusivamente pelos poderes tradicionais (a princesa) para um mundo no qual as mega celebridades (Elton John) passaram a exercer enorme influência. Essa transição, no mundo da moda e da alta costura, teve Gianni Versace como principal catalisador. É dele o crédito de utilizar o poder das celebridades para a visibilidade de sua marca e o potencial de supermodelos como parte significativa desta indústria. Além disso, sempre buscou conectar o mundo da moda com o da música como ninguém o havia feito antes, vestindo artistas como Madonna, Prince, Elton John e Bon Jovi.

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 Versace sempre desafiou a arrogância, suas peças de extremo bom gosto, mas que não obedeciam regras convencionais do que era ou não elegante. A marca foi construída com muitas estampas, brilho, pele exposta e sensualidade, refletindo a autenticidade das ruas em seus desfiles. Seus designs foram ambiciosos, tanto em conceito como na fabricação, com a criação de novas técnicas e novos tecidos. Como consequência, suas inovações continuam inspirando novos designers, mesmo depois de 22 anos de sua morte.

Para finalizar, veja o trailer da segunda temporada da série “American Crime Story” que mostra muito da vida de Gianni Versace e de suas relações com sua família e com questões de homofobia que sofreu ao longo da vida. Vale ressaltar que a série tem maior foco na perspectiva de seu assassino, mas mesmo assim vale a pena conferir.

 

 

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